Relação Aluno e Professor
A questão da disciplina, embora nunca tenha perdido sua importância, constitui-se, hoje, em tarefa exaustiva para o professor. Da facilidade garantida na escola tradicional, onde pais e mestres concentravam o poder, os modelos foram sendo substituídos, como diz Fernando Pessoa “sem tempo de manteiga nos dentes” e hoje temos um cenário nada exemplar.

Partindo-se do princípio de que qualquer que seja o modelo predominante, se o professor tiver bom domínio do conteúdo, consciência profissional, desejo real de levar os alunos à aprendizagem e formação didática, os resultados serão sempre positivos. Entretanto há que se remarcar que a relação professor/aluno não é a mola determinante para o aprendizado efetivo. Quem não se lembra de um professor “amigão”, que nada deixou e de um “chato”, que muito o tenha auxiliado para o sucesso profissional?

O modelo liberal dá, atualmente, mais liberdade ao aluno, mas muita coisa é passível de discussão: conteúdo, metodologia e avaliação. Com efeito, a conciliação de gostos, interesses e objetivos variados é um problema atual. Chegar ao consenso com uma turma é quase impossível e as tentativas várias têm mostrado que o maior prejudicado nessa indecisão tem sido o aluno. Pais e alunos julgam-se no direito de opinar sobre metodologias adquiridas por meios facilitados de comunicação. Mal digeridas, provocam interpretações equivocadas e são vozes e votos nas reuniões escolares. Usam-se de generalizações, sem fundamentos pedagógicos.

A lucidez de hoje permite o reconhecimento da falha do processo, na metodologia, na didática inadequada, na deficiência da avaliação, mas como na teoria da curvatura da vara, a culpa recai sobre e apenas no professor. É ele-o professor- o grande culpado e mascara-se, mais uma vez, a realidade.

A má compreensão das novas teorias pedagógicas sucede-se, sem tempo para reflexões e avaliações profundas ou acompanhamento de resultados. Daí a insegurança dos docentes, pois cada nova linha é apresentada como a melhor para acabar com os males da educação brasileira e urge colocá-la em prática.

O docente, consciente dos desencontros do Ensino e intimidado pela insegurança da “nova” moda pedagógica, tenta compreender e colocar, a trancos e barrancos, aquilo que lhe foi empurrado goela abaixo. A falta de treinamento, material didático, espaço para reflexão, o fará caminhar aos soluços e usar o aluno como “amostra grátis”, nem sempre com resultado eficiente. E, o que é pior: quando começa a encontrar uma luz no fim do túnel, cai-lhe à frente, nova metodologia, que faz descartável a anterior.

Desde a década de 60, a relação professor-aluno tem sido abalada com a chegada das ideias de: Dewey, Montessori, Decroly, Cousinet, Piaget e tantos outros.

Como ser um professor moderno? Como ensinar a aprender? Como cumprir o programa ou “o contrato de trabalho” em sala com mais de 40 opiniões e desejos diferentes? Como vencer em ambiente que privilegia o lazer, o namoro, a promoção automática e onde só o mau professor reprova? Como conceber o novo e o velho, as inseguranças, as imposições e o desejo de não ficar para trás?

No Brasil, com tantos contrastes e adversidades, as coisas se agravam. A velocidade das informações e transformações é intensa. Descartam-se os modelos. Os professores perdem seus paradigmas. As autoridades educacionais desconsideram as condições reais de trabalho e adotam medidas que, antes, exigiriam mudanças nas estruturas das escolas.

Hoje, supervaloriza-se a relação professor/aluno, como se o bom professor, embora exigente e que às vezes retém o aluno, não pensasse no bem do aluno e na formação da cidadania. Como se qualquer controle de disciplina e de avaliação fosse sinônimo de ameaça à aprendizagem. Confunde-se assim, professor com “especialista em relações humanas” e tenta-se trocar o nome de professor pelo o de educador, como se uma simples mudança de terminologia....

O rendimento do aluno não depende, simplesmente, do trabalho docente, mas de toda uma estrutura que envolve professor e aluno no dia-a-dia. Há turmas sem pré-requisitos que, a cada ano, vão chegando às novas fases e o Sistema Educacional baixando normas que pressionam o professor a reduzir os baixos índices de desempenho do aluno.

A supervalorização da relação professor/aluno tornou-se faca de dois gumes: avanço contra o autoritarismo, possibilitando o diálogo, mas, por outro lado, sua má interpretação abriu caminho para a violência física e, sobretudo, para a violência contra os direitos do cidadão.

Apontar o professor como o grande culpado das mazelas da Educação só faz causar abandono dessa carreira e dos cursos de formação, piorando a situação do aluno.

A relação professor / aluno é importante no processo ensinar e aprender. Deverá ser de preferência, amistosa de ambas as partes. Mas não poderá, em hipótese alguma, ser confundida com igualdade. A relação pedagógica deve embasar-se em uma hierarquia, onde os papéis de educador e de educando devem estar bem definidos e serem respeitados. Mesmo que o professor exerça sua autoridade de forma democrática e participativa, tem ele o direito manter em classe as condições que permitam a ocorrência da aprendizagem.

Enquanto não obedecermos a esses pressupostos básicos, a aprendizagem só terá a decair, justamente pela incomunicabilidade que se estabelece quando se acredita ser possível ensinar e aprender sem um mínimo de disciplina e organização na sala de aula. Não se pode supervalorizar a relação professor/aluno, especialmente em detrimento do saber. Sem querer ser psicólogo ou psicanalista de seus alunos, o professor deve compreender e ajudar no que for possível, mas sem esquecer que sua função principal é ensinar. E ensinar bem, dominando o conteúdo, preparando-o adequadamente à realidade que tem e usando as técnicas de ensino e de avaliação adequadas. Mas, sobretudo, ensinando, que é essa sua função. Professor é aquele que ensina.

Hoje, é ponto ausente que não é mais possível que o docente pense na sua turma e tenha uma visão cor-de-rosa de homogeneidade. Cada aluno é um caso especial e diferente do colega do lado. O professor terá de ter, portanto, um pensamento de heterogeneidade que o levará a pensar, a refletir, a escolher a melhor estratégia de aprendizagem a utilizar.

Outra certeza será que um docente não poderá ter a aspiração de dizer que este ou aquele aluno é bom ou é mau, baseado numa primeira observação ou porque é irmão do aluno que já teve e era muito esperto. É também inconcebível deixar fazer turmas por docentes mais conhecedores do meio em que lecionam. Hoje não se pode planificar para uma turma, partindo do principio que são todos dotados e que terão igual desempenho.

É reconhecido também que a interação professor/ aluno é essencial e, por vezes, fundamental em todo o processo de aprendizagem.

A relação professor / aluno deverá ser cada vez mais abrangente. A educação tem novos contornos e o papel do docente alarga-se a outras formas de ver a profissão. O professor terá de preparar o aluno de uma forma mais humana, preparando-o cientificamente, mais preparando-o para uma integração plena na sociedade e no mercado de trabalho, como cidadão responsável e participante, como cidadão consciente e de pleno direito.

A escola de hoje não pode, não deve ser mais o espelho da escola tradicional onde se ensinavam os mesmos conteúdos a todos e de uma maneira generalizada. Nas turmas, os alunos eram considerados homogêneos e o professor planificava para o aluno médio. Não existia a noção de que os alunos tinham capacidade e ritmo de aprendizagem por vezes tão diversificados.
Hoje, a escola centra seus ensinamentos no aluno. Há uma preocupação de mediar conhecimentos, procurando respeitar as capacidades individuais dos alunos. Presentemente, o professor que tenha em conta que cada aluno tem capacidades diferentes, que não estude a heterogeneidade da sua turma, estará, certamente, a contribuir para o insucesso escolar. A escola não pode mais ser niveladora, mas diversificadora.
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